sábado, 12 de maio de 2012

MOVIMENTO SINDICAL E CULTURA PARTE 4



Cultura em processo (parte 2)

Nossos nós

Muitas vezes, num primeiro olhar, ou mesmo nas intensões do fazer, as ações são desconectadas, não foram pensadas para andarem juntas.

Como pessoas caminhando pelas ruas, aparentemente não tendo nada em comum, encontram-se na praça do bairro, para um comício ou uma atividade cultural.

Vindo de muitos lugares, o encontro permite compartilhar, aproximar, dar coerência, caminhar juntas.

As abóboras se acomodam no andar da carroça, mas também sabemos que é preciso planejar, pensar, mas não com a vertical imposição do já pronto.

Nosso projeto não é um caminhar solitário, é um andar de pessoas que buscam identidades, que querem expressar-se, ser protagonistas, atores e não objetos.

Nossa busca é dar vazão a essa nossa necessidade de falar e escutar

num eco “que se transforma em muitas vozes, em uma rede de vozes que, diante da surdez do poder, opte por falar ela mesma sabendo-se uma e muitas, conhecendo-se igual em sua aspiração a escutar e a se fazer escutar, reconhecendo-se diferente nas tonalidades e níveis das vozes que a formam. Uma rede de vozes que nasce resistindo, reproduzindo sua resistência em outras vozes ainda mudas ou solitárias”.

Nossa rede cultural é amarrada por nós que permitem lançá-la ao mundo, contribuindo para o desenvolvimento de uma nova cultura, a cultura do bem comum. Denunciando e anunciando...

Eis os nossos nós:

nós buscamos preservar o patrimônio material e imaterial
nós proporcionamos a fruição cultural, a produção e acesso aos bens culturais
nós nos organizamos em auto-gestão, buscando democratizar o acesso aos bens culturais
nós buscamos novos talentos; divulgação da produção cultural;
nós lutamos pela democratização da comunicação
nós damos prioridade para difusão cultural, contra a concentração da informação
nós defendemos as tecnologias livre
nós participamos
nós celebramos o coletivo, repeitando o singular
nós somos solidários



sábado, 5 de maio de 2012

MOVIMENTO SINDICAL E CULTURA PARTE 4


Cultura em processo (parte 1)

Aproximando o horizonte.
Uma ação leva a outra...a experiência do SindBancários de Porto Alegre

A categoria dos Bancários, organizada em torno do SindBancarios, tem uma tradição de luta, realizações e inserção na comunidade gaúcha.

Tem uma cultura de luta e protagonismo, construído na prática, em torno das lutas travadas no decorrer dos seus 79 anos.

Greve na ditadura, greve no fim da ditadura. A grande greve de 79. O período de ascenso nos anos de 1985 a 1991; o movimento pela criação do Meridional; entre outras lutas.

Participamos ativamente pela democratização do país.

Também fomos forjados na resistência ao tsuname neoliberal, das privatizações e demissões. Do fora Collor, da defesa do SUS, da previdência pública, do direito à participação popular.

A cultura está inserida na ação do SindBancários há bastante tempo. Mas de forma pontual, sem continuidade, muitas vezes como meros eventos, nos espaços disponíveis das lutas econômicas.

Atualmente buscamos a construção de uma política permanente e integrada na área cultural.

A construção de um projeto cultural está a ocorrer com os caminhos sendo descobertos ao caminhar, com avanços, recuos, adaptações, aperfeiçoamentos, aprendizados.

Mas com a clareza de que é essencial incorporar essa temática como prioritária em nossas ações e estratégias.
É um processo onde uma iniciativa leva à outra, criando consistência no decorrer da caminhada.

Poderíamos dizer que o marco desse processo foi a revitalização da sede do Sindicato, a Casa dos Bancários. 

No debate sobre o que fazer com os “escombros” da sede histórica da rua General Câmara, definimos que realizaríamos a revitalização do prédio.

O restauro garantiu a preservação das características históricas, modernizando o espaço.

No térreo destinamos uma área para um cinema. Começava a constituição de um espaço cultural, mesmo antes de ficar pronto, ainda em sonho, em anúncio.

O prédio foi inaugurado em agosto de 2004. Mas não queríamos que fosse apenas um espaço de tijolo e concreto. O desafio era tornar viva a sede, preenchendo sua estrutura com atividades, pessoas, idéias, sonhos.

Como uma coisa leva a outra, para além dos 1.800 metros quadrados, buscamos desenvolver atividades para o espaço.

Desde sua inauguração a Casa dos Bancários abrigou debates, palestras, assembleias, comando de greve, ciclos de cinema, confraternização, música, oficinas de cinema, teatro, literatura, mostras artísticas.

O espaço se consolida, constrói visibilidade.

E colocou um grande desafio: construir política cultural transformadora.

Que crie meios e condições para a educação do fazer.

Que possibilite a prática cultural (música, literatura, artes visuais, etc.) como principio orientador das formações.

Percebendo ser este o melhor passo para se conhecer essas linguagens e seus códigos, e a melhor chance de se alterar o padrão de relacionamento com as artes.

Ou seja, sair de uma fruição apenas de entretenimento (lazer) para uma prática na qual se desdobra um processo de desenvolvimento pessoal.

Buscamos organizar e dar coerência para as ações culturais de nosso sindicato.

Compreendemos que um projeto cultural pressupõe um processo contínuo e dinâmico.

O papel do Sindicato é estimular a criatividade, potencializar desejos, criar situações onde os trabalhadores possam participar e criar.

O protagonismo deve ser garantido, sem imposições, com gente em movimento, criando uma corrente que, com inquietude, questione o instituído.

Mas para indagar é preciso conhecer, formar gosto, ganhar competência para integrar signos e códigos.

Precisamos fomentar o processo de interpretação/reinterpretação cultural. Mas não são somente interrogações o que nos move. Precisamos exclamar, afirmar nossas identidades, nossos valores.

Em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas, devemos estimular a criatividade, potencializando desejos e criando situações de encantamento social.

O desafio é permanente, sempre buscando garantir o protagonismo da categoria, como um processo de envolvimento, construído coletivamente pelas pessoas, fazendo, lutando e sonhando, pois essa é a nossa cultura


MOVIMENTO SINDICAL E CULTURA PARTE 1
http://sindicateando.blogspot.com.br/2010/11/boris-casoy-comete-gafe-ao-ofender.html

PARTE 2
http://sindicateando.blogspot.com.br/2010/12/movimento-sindical-e-cultura-2.html

PARTE 3
http://sindicateando.blogspot.com.br/2011/03/movimento-sindical-e-cultura-parte-3.html

quarta-feira, 25 de abril de 2012

PORQUE USO SOFTWARE LIVRE?!



Nos tempos que se avizinham, a vitalidade do sindicalismo aferir-se-á pela capacidade para si autotransformar, por iniciativa própria e não a reboque da iniciativa dos outros, antecipando as oportunidades em vez de reagir à beira do desespero, acarinhando a crítica e respeitando a rebeldia quando ela vem de sindicalistas dedicados e com provas dadas. (Boaventura de Souza Santos)

Software Livre é um modelo baseado na solidariedade, na socialização do conhecimento e na distribuição dos resultados produzidos.

Software Livre é liberdade.

Portanto o movimento sindical, que busca a mudança social, precisa engajar-se de forma ativa e efetiva nesse movimento.

E a categoria bancária tem a responsabilidade de ser vanguarda nesse intento. É um dos setores onde a tecnologia é utilizada de forma mais intensiva.

Nosso principal instrumento de trabalho é o computador e o uso da tecnologia é exercido para aumentar a exploração e o controle sobre os bancários.

Devemos usar as vantagens da tecnologia para criar consciências críticas, protagonismos sociais, com estratégias de resistência e transformação ao modelo imposto.

Estamos trabalhando pela viabilização de uma alternativa concreta, buscando inserir a questão tecnológica no contexto sindical.

Assim estamos fortalecendo nossas ações, buscando a defesa dos direitos, qualificando os serviços à categoria, e contribuindo para um mundo com inclusão social e igualdade no acesso aos avanços tecnológicos.

Além disso...

Através do fornecimento do código-fonte, o usuário tem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, modificar e aperfeiçoar o programa, o que contribui para que se chegue a programas de alta qualidade e performance.

Permite o desenvolvimento de softwares específicos e eficazes, que atendam plenamente suas necessidades de forma barata e confiável.

São programas seguros, livres de vírus, com compatibilidade entre as versões e não precisam de equipamentos de última geração para utilizá-los.

Me livrei do técnico, que eu pagava quase que semanalmente, pois o windows sempre “dava pau”. Ou era virus; a famigerada tela azul; etc. Sem falar do computador que com o tempo “ficava pesado”, forçando upgrade ou trocar de “máquina”.

Tenho orgulho de participar do SindBancários que busca, na prática, contribuir para superar a dependência de monopólios, desenvolvendo soluções tecnológicas para a categoria sendo abertas à sociedade. Para além do discurso, operamos quase que totalmente utilizando software livre, economizando recursos, sem perder em performance.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

10 ANOS A TODO GAS!

Os dominantes acham que conhecem o segredo das abelhas.
Mas o verdadeiro segredo das abelhas, é que elas não projetam seu fazer. Agem de forma instintiva.
Já os humanos podem projetar o fazer.
Conforme Marx, o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade.
Portanto, podemos mudar o mundo.
Os participantes do Grupo de Ação Solidária do SindBancários (GAS) há dez anos descobre e reafirma isso semanalmente.
Os colegas do GAS sabem que o segredo deles é buscar encobrir nossa humanidade, ou seja, nossa capacidade de conduzir nossos destinos.
Para isso mascaram a realidade, cujo ideal é que sejamos como as abelhas: Produzir sem pensar, questionar.
Mas os seres humanos não podem ser domesticados, enganados o tempo todo.
As contradições do sistema são de grande monta. As máscaras vão caindo, e o segredo da vida humana vai se desvelando.
Apesar das falsas aparências a realidade é produzida pela relação entre pessoas e grupos. Não são robôs e máquinas programadas que exercem o fazer social.
Entretanto o poder dominante tenta impor sua lógica apresentando-a como única possibilidade.
Mas o homem é um ser social.
A experiência do GAS demonstra que coletivamente, agindo solidariamente temos chances de superar dificuldades.
As conquistas individuais e coletivas foram possíveis pela ação de todos.
Isolados somos presas fáceis dos predadores.
O individualismo imposto é doença. O sofrimento dos trabalhadores nos locais de trabalho e o grande número de adoecidos atestam essa realidade.
O individualismo é contra a natureza humana. As pessoas sofrem quando estão encurraladas em sua solidão.
É a sociedade do anti-depressivo, das “pílulas da felicidade”. É preciso um remédio para, quimicamente, agindo internamente no organismo, compensar essa agressão externa, “a alienação da ação coletiva”.
Não é o coletivo sufocando a identidade, mas quando nos isolam, nossa identidade- que se forja socialmente - não aflora, vira patologia.
Isto é realizado quando sufocam liberdades, impõem situações de trabalho onde não temos autonomia, tendo que sujeitar-se, “sem choro”.
Sufocam nossa realização coletiva e individual. Sufocam quando inibem nossa criatividade, nossa possibilidade de decidir.
Conversar, conviver, criar espaços solidários, é saúde, é transformador.
O segredo do Grupo de Ação Solidária é que sabem disso e há dez anos praticam a solidariedade.
Parabens, esse exemplo nos dá força e certeza que é possível mudar o mundo e superar as dificuldades.

O Gas: O Grupo de Ação Solidária em Saúde é um espaço de reflexão e construção social coletiva, formado principalmente por trabalhadores vítimas de acidentes e doenças relacionados com o trabalho, afastados ou não. Tem por objetivo propiciar aos trabalhadores o compartilhamento de experiências, propostas de mobilização e ação sindical, reforçar e divulgar direitos básicos de cidadania, estimular a luta por saúde e condições de trabalho, organizar e conscientizar os trabalhadores na defesa por melhores condições de trabalho e saúde, bem como a criação de novos conhecimentos a partir da reflexão das práticas desenvolvidas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

SINDICATEANDO FEZ QUE FOI MAS VOLTOU!


Vou tentar retomar as reflexões, por escrito, sobre o sindicalismo no meu blog.

Escrever é um ato de coragem. Escrever periodicamente é um ato de persistência. Pelo menos para mim, é um ato sacrifício.

Mas creio ser obrigação “colocar na tela” algumas singelas reflexões sobre o mundo do trabalho.

Assim podemos gerar o necessário debate para avançar em nossa luta.

Especialmente, se faz necessário reafirmar a importância do sindicalismo na história e, especialmente, no presente.

Atualmente estamos no meio de uma grave crise do capitalismo e, como sempre, o capital busca saídas que significam sacrifícios da população.

Já vemos isso no grande número de demissões e retrocessos nos direitos em alguns setores chantageados pelo capital. Buscam socializar os efeitos da crise com todos.

No mundo globalizado todos sentimos os efeitos das crises e também podemos aproveitar a situação para soluções progressistas.

O desafio de nosso tempo é fazer de cada avanço uma trincheira da qual seja possível ocupar novas posições do inimigo, e quando na resistência acumular forças para a superação do modelo capitalista.

Momentos de crise são também momentos de possibilidades, recolocam o posicionamento das classes na sociedade.

As brechas que a crise possa proporcionar precisa ser aproveitada, aprofundando o debate com amplos setores populares construindo saídas do ponto de vista dos trabalhadores, construindo grandes mobilizações.

Isso não será possível sem a ampla unidade, sem hegemonismos e posturas corporativistas. Muito menos devemos esperar pelo Estado, pois a tendência é que esse seja utilizado pelo capital.
A crise abre possibilidades de debatermos com os trabalhadores, mostrando os limites do capitalismo e mostrar que estávamos corretos quando denunciávamos o neoliberalismo e suas conseqüências.
Deu no que deu! Estávamos com a razão! Portanto ampliou nossa legitimidade para denunciar o modelo centrado no mercado.
O desafio é não ficar só na denúncia, buscar políticas concretas que materializem a superação do modelo.

Portanto o debate ideológico tende a acentuar-se. A ideologia é reproduzida cotidianamente, escamoteia a realidade, cria “consensos” que desvirtua a realidade garantindo a manutenção da dominação em uma sociedade imersa no fatalismo.

O momento exige elaboração teórica mas também de ação política concreta. Não de forma acomodada, como se encontra a maioria do movimento sindical, reagindo ao fato consumado, quando reage.

Mas de forma ativa, com presença nos locais de trabalho; buscando estudar e compreender as mudanças e elaborando propostas alternativas; afirmando nossa opção por uma sociedade mais justa, socialista.

Um sindicalismo com perfil de classe definido, contra a ordem, não compactuando em negociações que gerem confusão nos trabalhadores e falsas ilusões, na lógica do “dar os anéis para não perder os dedos”. Precisamos serrar os punhos e ir à luta!

A superação das dificuldades só se darão com o seu enfrentamento corajoso, unificando os excluídos, rompendo com a visão de meras lutas parciais.

Está cada vez mais claro para todos a estreita ligação entre conquistas imediatas de salário com a necessária superação do modelo econômico.

Precisamos descobrir os elos mobilizadores e com decisão aguçar as contradições, nunca minimizá-las.


sábado, 29 de outubro de 2011

A LUTA VALE A PENA




Os bancários mais uma vez deram grande demonstração de mobilização. Já faz parte do “DNA” da categoria a capacidade de lutar, condição para haver conquista.

Foi emocionante ver uma mobilização alegre, onde todos comungavam os mesmos objetivos. Mesmo nos períodos mais tensos da greve, não perdemos o sorriso e a tranquilidade. Com sol, chuva, em todos os horários, os bancários estavam nas ruas dialogando com a sociedade, espraiando suas reivindicações.

Muitas vezes no nosso dia a dia de trabalho não conseguimos nem conversar com os colegas. Os métodos de gestão impõem a competição, estimula o individualismo. Atuando isoladamente somos vulneráveis, adoecemos.

Na greve convivemos com objetivos comuns. Consolidamos amizades, exercemos a solidariedade. É um momento de elevação de consciência, de compreensão de que a luta coletiva é transformadora.

Um movimento grevista também é um dos principais momentos para elevar a consciência crítica da população. É uma oportunidade de as pessoas se enxergarem como conjunto transformador.

A aprovação das propostas coroa mais uma campanha vitoriosa dos bancários, em que enfrentamos um cenário econômico e político adverso.

Derrotamos a visão equivocada de que salário gera inflação. Garantimos a continuidade do modelo de valorização do trabalho, como forma de fortalecer o desenvolvimento econômico com distribuição de renda.

Desmascaramos, ainda, visões de administradores públicos, especialmente aqueles que têm origem no movimento sindical e nas lutas sociais, que tentaram desqualificar a greve, tentando intimidar os grevistas, não dialogando.

Comungo da visão do presidente da CUT, Artur Henrique, onde afirma que “devemos lembrar que no Brasil de hoje há ministros e presidentes de estatais que só chegaram lá porque fizeram greves ao longo de suas trajetórias. Esquecer-se disso é jogar contra a proposta de transformação social que tem nos guiado nas últimas décadas. Se queremos construir um novo modelo de desenvolvimento, com ênfase na distribuição de renda, na superação das desigualdades e na afirmação da liberdade, devemos repudiar tal comportamento demonstrado por algumas autoridades públicas nos últimos dias”.

Depois da greve, onde foi construído um clima de união, voltamos mais fortes para os locais de trabalho para enfrentar a pressão, o autoritarismo.

Nossa luta é cotidiana, travada no dia a dia, não somente na campanha salarial.
Voltamos ao trabalho com mais clareza da importância da luta coletiva para que hajam mudanças.

Parabéns grevistas. Demos mais uma lição de vida, de luta, de dignidade. Esse patrimônio construído durante o movimento grevista deve ser preservado com carinho. Assim, nas lutas que temos pela frente, continuaremos sendo vitoriosos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

JUNTOS SOMOS FORÇA!



A greve se anuncia.
Não nos deixam outra alternativa.
É hora de dar um basta!

“Passei por situações de isolamento, fui vítima de fofocas, descrédito, considerada como alguém sem espírito de cooperação, afimaram que eu estava com baixo rendimento e poderia perder minha função de caixa. Tudo isso causou-me forte sofrimento emocional, e até dores físicas.Sou motivo de críticas de colegas Caixas, Gerentes e Assistentes por fazer pausa de 10 minutos após às 16h, quando não há mais cliente esperando nas cadeiras, sendo que teria direito a 10 min de pausa a cada 50 minutos trabalhados no caixa. A NR 17 não é respeitada. Os colegas sentem-se sobrecarregados por culpa minha. Sinto-me constrangida quando vou ao banheiro ou leio emails (...) Tenho feito minha parte, tenho filho de 1 ano e sacrifiquei a amamentação para trabalhar até mais tarde. Minha agência "não tem estrutura" para que eu saia alguns dias às 18h. Chego à agência mais cedo em alguns dias da semana e saio mais tarde quase todos os dias.”

“O clima na agência está péssimo. Os funcionários estão desmotivados e sobrecarregados de trabalho e em nenhum momento isto é reconhecido. O trabalho que cada um executa precisaria de, no mínimo, duas pessoas para executar com agilidade e corretamente (...) todos os dias são mais cobranças e pressão. Cada meta não cumprida, gera uma 'enorme decepção', aumentando as ameaças de demissão. É comum vermos colegas chorando ao longo do dia.” (1)

Tudo tem limite!
Assim não pode continuar.

Os métodos de gestão dos bancos impõe o individualismo, a solidão, a concorrência entre colegas.

“A lealdade e a confiança são corroídas e são trocadas pela desconfiança e o contrangimento de vigiar o comportamento dos colegas, logo considerados como adversários”. (2)

Nossa resposta é a união, a confiança mútua, a mobilização de vontades.
O coletivo é nossa força.

Vamos romper com a violência dos bancos, abrir uma porta frente ao muro do silêncio.

Construir uma grande mobilização, com união, participação e atitude.
Não vamos dar o gostinho aos banqueiros de nos ver divididos, dispersos.

Uma categoria em movimento, organizada e unida, é força, é o antídoto à ganância, à prepotência e à violência dos bancos.

Vamos construir uma grande rede de vozes, com as pessoas lado-a-lado, em movimento.

Vamos ecoar nossa indignação e nossa vontade de mudanças.

“Num eco que reconheça a existência do outro e não tente dominar ou emudecer o outro.

Um eco que se transforma em muitas vozes, em uma rede de vozes que, diante da surdez do poder, opte por falar ela mesma sabendo-se uma e muitas, conhecendo-se igual em sua aspiração a se fazer escutar.

Uma rede de vozes que nasce resistindo, reproduzindo sua resistência em outras vozes ainda mudas ou solitárias.
Segue uma grande bolsa de vozes, sons que buscam seu lugar ao lado de outros”. (3)

Vamos gritar juntos um grande Basta!

Vamos juntos construir uma grande mobilização, uma grande greve.

Ombro-a-ombro, vendo-nos como iguais, mesmo nas diferenças.

Unidos somos força.

Assim venceremos.

À luta companheiros e companheiras!


(1) Depoimentos da Campanha tudo tem limite do SindBancários
(2) Christoph Dejours - psicanalista, estudioso sobre organização do trabalho e saúde dos trabalhadores
(3) Declaração do Exército Zapatista de Libertação Nacional - México